Hipotireoidismo, Depressão, Bolo de Chocolate e Casa Amarela

postado em: Crônicas | 1

Contrariando todas as dicas de SEO fiz um titulo com várias palavras chave, mas fazer o que se quero resumir minha semana e ela teve vários assuntos? Depois eu fico brigando com meu plugin que fica me notificando toda vez que abro o painel que não publiquei no primeiro paragrafo do meu texto: Hipotireoidismo, Depressão, Bolo de Chocolate e Casa Amarela, ou seja, as palavras chaves do meu titulo que agora devem se repetir ao longo do texto mais algumas vezes.

Me desculpem a auto promoção, mas é que estou a todo custo evitando o conflito, inclusive com plugins WordPress. Sim, eu amo WordPress, mas ele não me dá uma folga, e quando junta com o meu hipotireoidismo diagnosticado essa semana, qualquer coisa é muita coisa pra fazer.

Home Oficce preto e amarelo

Hipotireoidismo, para quem nunca ouviu falar é uma doença da tireoide, que eu deveria explicar mais mas o Google taí pra isso, resumindo, estou com deficiência dos hormônios T3 e T4 que são produzidos pela tireoide e por isso tenho convivido com os sintomas abaixo:

Fadiga;
Depressão;
Ganho de peso;
Sensibilidade ao frio;
Sonolência excessiva;
Cabelo seco e grosso;
Prisão de ventre;
Pele seca e frágil;
Caibras musculares;
Aumento dos níveis de colesterol
Letargia (cognição lenta);
Inchaço das pernas;
Fala lenta e rouca;
Falta de fôlego;
Perda de desejo sexual;
Dor em articulações e músculos;
Irritabilidade e;
Ciclos menstruais anormais.

Sintomas que fizeram minha vida parar por anos, aproximadamente uns 3 pra ser mais exata e esse é um dos motivos porque não gosto de médicos, você paga a consulta, vai ao médico com uma lista de sintomas e eles pedem um ou outro exame bem simples, já que se pedirem todos os exames não dão lucro para os convênios. E pronto, a primeira alteração no diagnóstico é tratada como a causa principal de tudo.

Ok, mea culpa, também tenho fugido de médicos, já fui a tantos, gastei tanto com medicações que não davam resultados que acabei desanimando. Sabe como descobri que minha depressão não era só uma depressão?

Comecei a passar muito mal, mal mesmo de não conseguir fazer nada, dores de cabeça fortíssimas, até que resolvi medir minha pressão: 19×12, quase morri de susto. Resolvi pagar uma consulta particular que não foi nada barata, mas que os médicos trabalham ao contrario dos convênios, lá eles pedem todos os exames possíveis e imagináveis para dar lucro a instituição. Isso foi bom, com ajuda de um amigo consegui fazer todos os exames, de outro consegui fazer um convenio e tive o resultado.

Se isso assombrou minha vida por anos, eu que corro atrás, que pesquiso, que tento resolver, que não me entrego na primeira dor, imagina quem a depressão ataca com força total, porque isso acontece e como comentei no Facebook, não da pra ligar pro seu chefe e falar: Olha, eu to depressiva, to querendo morrer pra não sair do quarto, por isso não vou trabalhar hoje.

Seu ex marido não quer saber que você está doente. ” Tá doente? Quando estava comigo eu dava de tudo, dava convenio, mas a vida não tava boa, é uma vadia, ela que arrume um macho pra cuidar, se não tá bem que entregue a guarda dos meninos e vá morrer em paz”

As pessoas ajudam como podem, mas no fundo pensam, isso é vagabundagem, estava acostumada com a vida boa e agora que tem que se virar sozinha ta com frescura.

Isso pra só citar algumas das coisas que ouço sobre a depressão, até pra igreja encaminham a gente, e nem vou falar de religião porque se entrar na questão aí sim a depressão só aumenta. Queria mesmo ter uma fé, mas quanto mais eu estudo as religiões mais duvidas eu tenho.

Fato que essa tristeza toda está com os dias contados, em breve começo o tratamento e posso voltar a viver, porque até pensar na vida estava dolorido e exaustivo.

Não estou escrevendo isso porque quero que sintam pena de mim, nem para justificar minha ausência, minha negligencia, minha falta de interesse em tudo, estou escrevendo isso porque alguém pode estar passando pelo mesmo e sem saber o que fazer. Nas ultimas semanas respondi três pessoas com a mesma frase; Não ligo se morrer agora, tudo ficou tão sem graça que não tenho mais motivos pra continuar com nada, se quer me ajudar apenas cuide dos meus gatos e me deixe no meu canto.

Se eu ainda tentava disfarçar a depressão era pra não ouvir conselhos óbvios e não enlouquecer de vez. Depressão é coisa séria e não só o paciente precisa de apoio e tratamento, mas a família e os amigos também precisam, não é fácil lidar com tanto mau humor e desanimo num só corpo.

Hoje minha casa ainda está abandonada, já passa do meio dia e não entrei na cozinha, Não pensei no almoço de hoje e muito menos no almoço da semana, só de imaginar ter que ir até a praça de alimentação do shopping do outro lado da rua me cansa, mas pensar em ter que cozinhar mais que um ovo também me deixa exausta, a máquina está cheia de roupas para pendurar, preciso ir até um mercado, preciso de comida e utensílios mas me recuso a tirar o pijama ou abrir as janelas do quarto. Até quando alguém diz que vem pra cá e vai me ajudar eu só enrolo e acabo não fazendo nada.

Bolo de chocolate dulce delight

Hoje, agora eu deveria estar fazendo um bolo de chocolate para postar no aniversário do Coletivo Gastronômico, um ano já, o tema é bolo, escolhi um de chocolate, estou com pelo menos 3 links abertos com receitas, tenho todos os ingredientes na geladeira, mas não consigo me organizar nem pra fazer o bolo, nem para fotografar, a postagem é na próxima semana e sinto que vou acabar publicando um dos bolos que já fiz só por não conseguir fazer nada em relação a isso.

bolo de chocolate dane noice

Home Ofiice

Tenho projetos e mais projetos de vídeos, mas fiz até uma lista de motivos pelos quais eu não faço vídeos para o youtube, mesmo acreditando que é uma forma de viver, me ajudar, ajudar pessoas e fazer tudo o que gosto.

batedeira amarela

Uma das desculpas que arranjei agora para não fazer vídeos e posts em geral para o blog é que preciso de utensílios fofos, receitas incríveis e móveis e eletrodomésticos amarelos, já andei até colocando alguns no carrinho de algumas lojas para ver se me motiva, mas não conclui compra nenhuma. To achando melhor deixar para depois que o tratamento começar a dar certo, dá medo de deixar tudo num canto só pegando pó como várias outras coisas que andei comprando pra me incentivar a voltar blogar.

Também tem o fator do apartamento ser alugado e precisar mudar novamente em pouco tempo, não é justo, esses móveis já não são grandes coisas e ficar mudando também desanima muito.

Não sei, o que vocês acham?

Ah, antes de mais nada esse não é um post pago, as imagens são meramente ilustrativas de produtos que andei salvando pra me animar a voltar arrumar a casa e a vida. Se alguém gostou de algo nas imagens tem a fonte, ou seja, onde encontra os produtos. Não vou linkar por motivos de não ganho pra isso e to com hipotireoidismo, vivo cansada e linkar tudo dá um puta trabalho, só pagando e bem pra isso.

 

Coisas de Mulher

postado em: Crônicas | 1

Ela que sempre gostou de ser mulher e que sempre se orgulhou em dizer que gostava era de homem, hoje acordou contrariada, praguejando contra o mundo. Em meio a duvida por não saber se era um sonho ou o despertador ela acordou apressada, afinal ninguém sonha que tem dor de cabeça, abriu os olhos e lamentou que talvez estivesse de TPM, a dor era tanta que nem conseguiu contar o ciclo, mal sentou na cama e percebeu que sangrava mais que os Starks em Game Of Trhones, sem duvida o ciclo estava se encerrando. Correu pro banheiro com a sensação térmica de uns 3 graus negativos, abriu o chuveiro pra ir esquentando, tirou a roupa com cuidado, sentiu uma pontada no ventre, ” cólica também?” ela pensou.

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Entrou embaixo do chuveiro e o namorado bateu na porta: “Você tem 30 minutos pra ficar pronta e chegar no ponto, não enrola no banho, ou você vai se atrasar e me atrasar também”

Ela quase mandou que ele usasse o outro banheiro, mas o outro banheiro é do outro apartamento, e apesar de morar há mais de seis meses no novo apartamento ainda não se acostumou com um só banheiro e outras abdicações que foi obrigada a fazer.

Passou o condicionador primeiro, culpou a pressa, e antes de tirar o shampoo o João Pedro estava batendo na porta: Mãe, não esquece que hoje é o ultimo dia de aula e tenho que levar alguma coisa pro pic nic junino.

Ela quis chorar, aproveitar o shampoo nos olhos, mas nem isso dava tempo. Enxaguou os cabelos o mais rápido que pode, enrolou se na toalha e correu pro quarto, começou a se vestir mas nada combinava com nada, nem adiantava olhar o varal, ela lembrou que esqueceu de ligar a máquina na noite anterior.

 

Jurou gastar todo o PIS daquele ano em roupas e comprar um look por mês pro resto da vida, dane se a previdência e o armário capsula, não aguentava mais passar frio, não podia mais andar toda descoordenada, até a Emília do Sitio do Pica Pau Amarelo tinha mais estilo e elegância que ela.

Se aqueceu como pode e enquanto preparava um cappuccino, abriu umas latas de leite condensado, um pacote de coco ralado, juntou manteiga e levou ao fogo, mexeu a panela enquanto tomava seu café da manhã, conversava com o gato, ouvia Alabama Shakes, Always Allright que sempre toca no rádio pela manhã e ela gosta de imaginar que é algum tipo de mensagem subliminar para ela.

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Quando colocou o doce no prato para esfriar ela olhou no relógio e viu que se atrasaria bem mais que os 5 minutos de sempre, seria muita sorte chegar antes das nove, lamentou e até ensaiou uma conversa com seu chefe, “eu nunca vou nas reuniões dele, mal ando com tempo de olhar os cadernos, não podia deixar o menino ir pra festa sem levar um doce…”

Passou as instruções de como enrolar o beijinho, pediu pra que não esquecesse o cravo, um em cada doce, não queria parecer uma mãe desleixada, normalmente ela faria um bom e grande bolo, nos bons tempos, não, nos velhos tempos.

Saiu correndo e com pouca blusa, a cólica e a dor de cabeça competiam pra ver qual doía mais, pensou em ligar para o patrão e explicar que não conseguiria trabalhar, mas lembrou de toda a luta feminista para ter direitos iguais e se questionou como poderia querer ganhar tão bem quanto um homem se faltava ao trabalho quando menstruava. Colocou Kings of Leon no celular e caminhou até o ponto imaginando que bom seria se nos dias de TPM e menstruação pudesse tirar uma licença, uns 3 ou 4 dias por mês, com sorte até menos se fosse como hoje uma sexta feira.

Quando saiu do condomínio viu o ônibus chegando no ponto, contrariou recomendações médicas e correu, acenou para o motorista que freou esperando por ela. “Que sorte”, ela pensou, “tomara que eu não infarte só por essa corridinha.”

Mais sorte foi encontrar um lugar vago na janela, tirou o cachecol da bolsa e se enrolou, lamentou por abandonar sua cama quentinha, um bom chá, ouvir musica triste o dia todo, chorar, se consolar com chocolate, tinha que trabalhar, se a situação já estava difícil trabalhando, imagina se começar a faltar, ainda mais por esse motivo. Lembrou outra vez das feministas, ficou revoltada, se não fosse o egoísmo masculino tudo seria diferente, porque ela tinha que ser compreensiva, perdoar e continuar a amar?

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Pensou em queimar soutians, mas só tinha 3 que estavam bons, os outros já estavam velhos demais, nem seria um grande ato, e depois teria um trabalhão pra comprar novos, nunca encontrava do seu tamanho. Se os homens gostam tanto de peitão, deveriam dar de presentes soutians grandes, afinal alguém precisa sustentar enquanto eles não estão segurando.

Tentou relaxar no ônibus e não pensar em nada, nem no atraso. No caminho até o outro ônibus passou na farmácia comprou analgésicos.

Chegou no trabalho pensando em pedir pra sair, mas aguentou, pegou um café na máquina com 3 de açúcar, invejou os homens, ficam bem de jeans e camiseta, se está frio apenas vestem uma jaqueta, qualquer sapato está bom e eles nem menstruam. Não há salario igual no mundo que equivalha a isso.

Se arrastou com dor até a hora do almoço, passou numa loja de roupa procurando um casaco pra usar no dia seguinte, afinal um evento de moda pede alguém pelo menos com roupas coerentes, nada que ela fosse conseguir com suas 12 peças de roupas. sendo 5 calças jeans. Não sobrava muita coisa pra esquentar e ornar como diria sua avó.

 

Se preocupou em ter que carregar o John Snow  o evento todo, John Snow é nome carinhoso que ela deu pro seu casaco, já que a previsão do tempo previu muito frio de manhã e a noite e muito calor durante o dia.

Correu almoçar, afinal já tinha perdido 15 minutos do seu horário de almoço tentando encontrar algo que coubesse nela e no orçamento, se ela já odiava comprar roupas nos dias normais, hoje definitivamente não era o melhor dia pra isso.

Trocou o almoço por um pote de fondue de chocolate com morango, dane se a saúde, dane se a pressão alta.

Voltou para o trabalho ainda com dor, mas firme no seu propósito de trabalhar o dia inteiro e por mais quatro horas e meia tentou não pensar na louça pra lavar quando chegasse em casa, listou na sua mente tudo o que precisava ser feito para conseguir sair no dia seguinte: sombracelha, pintar as unhas, trocar os brincos, separar a maquiagem, os cartões de visita, levar algo para anotar, carregador de celular, câmera fotográfica e muito bom humor pra aguentar toda a pressão do evento e conseguir extrair todo o conteúdo possível sem se deixar abater pela moda, consumismo e superficialidade que fazem ela se sentir menos mulher nesses dias em que ela só queria ter acordado homem.

Quem sabe com sorte e um pouco de boa vontade talvez encontrasse um colo e  uma comédia romântica para encerrar o dia.

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