Diversidade e Inclusão na Publicidade -Dia Dos Namorados Sem Casal Gay

postado em: Propaganda e Marketing | 0

Publicitário hoje em dia espera o dia dos namorados só pra ver se ainda vai ter polêmica, afinal as redes sociais são o termômetro do consumidor, nas redes temos respostas rápidas e eficientes sobre nossos questionamentos.

Uma das primeiras coisas que é ensinada na faculdade de publicidade é a elaborar um briefing, para quem não sabe, um briefing é um documento onde constam todas as informações da marca ou produto que será divulgado, bem como todas as regras da campanha e o PUBLICO ALVO.

Reserve essas informações para usarmos mais adiante.

Esse post não é uma receita do que deve ou não ser feito em campanhas publicitárias, é um pensamento de uma profissional da área e consumidora hétero até então, amiga de consumidores homo e que através de uma pequena amostra avalia propagandas e comportamento do publico alvo ou não nas redes sociais.

Nesta semana acompanhei diversas campanhas de produtos e marcas voltados para o dia dos namorados e notei que desde a  polemica do Boticário de 2015 várias outras marcas aproveitaram a abertura para incluir toda a diversidade de casais apaixonados em seus comerciais.

Dia dos namorados

A inclusão vem ocorrendo não só próximo ao dia dos namorados e muitas outras marcas estão fazendo propaganda cada vez mais voltadas às minorias ( que poucos se deram conta que juntos são a maioria), pessoas que até então eram excluídas e não se identificavam com modelos impostos.

Outras marcas reviram todo o seu conceito como a Skol que aboliu de vez mulheres semi nuas servindo homens nas campanhas e ainda pedem para que caso alguém ainda guarde algum resquício desse malefício a sociedade que seja devolvido a empresa para descarte com direito a um reposter totalmente novo e inclusivo. Neste link você pode notificar a empresa.

Avon, Lacta, Gol, Unilever, C&A, são alguns exemplos de marcas que resolveram entrar nessa, também perceberam a importância de abranger esse publico.

As marcas argumentam dizendo que apenas retratam a realidade, não estão expondo intimidades, nem constrangendo com uma realidade aumentada, é o que acontece diariamente e porque não representar esses fatos nas peças?

Em meio a tanta diversidade, tantas empresas ampliando seu publico algumas preferem não criar polêmicas e não retratar todos os casais, o que é um direito da marca sim e da mesma forma que temos que respeitar a inclusão temos que respeitar o direito da marca de optar não incluir.

dia dos namorados

Isso é previsto no briefing, lembra que falei dele lá no inicio? O briefing da Riachuelo nesse dia dos namorados não contemplava casais gays, o motivo talvez nunca saberemos, fica somente a pergunta, a que preço?

O publico já está reclamando a falta de diversidade da campanha, eu sei que falamos de internet onde ninguém passa imune a haters, porém existe uma mudança de comportamento do consumidor que agora está se acostumando com a diversos casais no intervalo da novela ou no vídeo exibido antes do seu youtuber favorito da semana.

Perceber que tal marca não incluiu faz pensar que é contra, ou que talvez não esteja interessada nesse publico. Achei estranho, pois o caminho já foi aberto, já há uma trilha a ser seguida, logo uma marca de roupas que se parar para analisar, o publico gay deve consumir mais até que o publico feminino, não tenho esses dados, apenas observo alguns amigos que compram roupas quase que semanalmente enquanto eu, bom eu não sou exemplo de nada, mas compro uma brusinha nova a cada dois meses e olhe lá!

Os estudos do comportamento do consumidor em relação a inclusão ou a falta de são bem recentes, mas em 2014 a maioria dos consumidores diziam não se incomodar com a presença de casais gays nas campanhas. Também me lembro de ter lido em algum lugar que O Boticário em 2015 teve um leve crescimento nas vendas na época do dia dos namorados, nada muito significativo, mas que só indica que a manifestação de boicote a empresa não deu certo.

rumores que o publico LGBT faça um boicote devido a falta de representatividade da campanha que acredito que possa dar mais certo que o anterior,mas só saberemos daqui há um tempo. Por enquanto em casos de dúvida a melhor opção é incluir, diversificar, já passamos muito tempo fazendo vistas grossas, sendo preconceituosos e todos, gostem ou não essa é a realidade e nada disso começou há dois anos, já vem de décadas de repressão e falta de representatividade. Pense nisso e não seja a marca que exclui, nem a que se omite para evitar polêmicas.

 

Deixe uma resposta