Campanha de Dia dos Namorados O Boticário

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Para ler ouvindo – Toda forma de Amor do Lulu Santos

Estamos em 2015, as vésperas do dia dos namorados e no meio de uma discussão sem fim sobre uma campanha onde aparecem dois homens e duas mulheres demonstrando amor um pelo outro, homem com homem e mulher com mulher.

A campanha é leve, bonita, cheia de amor, sem apelação, tão fofinha!
Mas como nem tudo são flores, tem um pessoal fazendo corrente contra, com medo de que um simples comercial possa acabar com família brasileira. Como se todos esses anos de repressão tivessem realmente impedido alguém de se apaixonar por alguém do mesmo gênero. Desde que me conheço por gente, isso faz tempo, eu ouço falar de homossexuais. e em todas as classes e profissões, inclusive amigos de pré escola que já demonstravam tendencias. Todos criados por casais héteros e frequentando a igreja regularmente. Me lembro também da vergonha e do medo das famílias em divulgar tal situação. Eu nunca entendi esse medo até pouco tempo atrás quando me deparei com políticos evangélicos criando problemas para essas pessoas, quando vi crimes sendo cometidos em nome de uma moral inexistente.
Nem vou entrar no mérito da religião, porque assim como eu faço o que eu quero com meu amor, você também pode fazer o que quiser com suas crenças, inclusive ser um babaca intolerante. É a minha opinião, tá! Estudei um pouco sobre várias religiões dentro do cristianismo e em nenhuma encontrei algo que dissesse que alguém pode salvar o outro, no máximo o crente pode pregar a palavra, divulgar, jamais impor sua crença, mas assim como tudo na vida tem sempre aquele que quer se destacar mais, quer mostrar serviço de qualquer maneira e ganhar uns pontos extras com Deus, como se fosse assim tão ridícula a maneira de ganhar bônus, eu quase acredito que Deus deve ter é vergonha de ver tanta coisa errada e tanta briga por nada, porque eu na minha humilde existência de serumano que só usa 10% da minha cabeça animal, morro de vergonha e desgosto dos meus amigos da mesma espécie, até me pego pedindo perdão a Deus por mim e por eles com a justificativa de que eles não sabem o que fazem, certeza que não usam nem 1% da capacidade mental.
Mas vamos analisar pela ótica publicitária, já que com tantas reclamações o Conar  vai analisar a campanha para dizer se ofende ou não a moral da família brasileira.
Coincidência ou não a aula de ontem foi justamente sobre o assunto, e nem a professora, nem alunos encontraram na propaganda nada que justificasse ajustes ou até mesmo a retirada da mesma, muito pelo contrario, a marca agiu de forma muito discreta e sensata, e conseguiu grande engajamento, até eu que não sou de entrar na dança comercial de datas comemorativas fiquei com vontade de comprar um Egeo só pra mostrar que minha família continua com moral e eu não estou com vontade de beijar outras mulheres.

Não é tão fácil assim tirar uma propaganda do ar, para ser considerada irregular precisa se encaixar em um dos itens abaixo:

  1. Publicar textos ou ilustrações que atentem contra a ordem pública, a moral e os bons costumes. Se alguém se sentiu tentado com a campanha é bom ver isso, saía do armário enquanto é tempo, tenho uma noticia pra você: você nunca foi muito hétero. 
  2. Divulgar informações confidenciais relativas a negócios ou planos de clientes anunciantes. 
  3. Reproduzir temas publicitários, marcas, músicas, ilustrações, enredos de rádio, TV e cinema, salvo por consentimento prévio de seus autores ou proprietários.  Acredito eu que a musica do Lulu foi concedida e bem paga, não é o caso. 
  4. Difamar concorrentes e depreciar seus méritos técnicos.
  5. Atribuir defeitos ou falhas a mercadorias, produtos ou serviços concorrentes.
  6. Contratar propagandas em condições antieconômicas ou que importem em concorrência desleal.
  7. Utilizar pressão econômica com o ânimo de influenciar os veículos de divulgação a alterarem tratamento, decisões e condições especiais para a propaganda. 
Ou seja, não há nada que desabone a campanha do Boticário, muito pelo contrário, vejo como uma campanha de inclusão, que ajuda a perceber que somos todos iguais independente da forma de amor escolhida, mais uma prova que a falta de moral está no receptor não na mensagem e muito menos no mensageiro. 
“Abra sua mente, gay também é gente!” e com perdão do trocadilho, muito mais alegre e feliz que um tantão de héteros por aí, que devem ter uma vida tão vazia que sobra tempo pra cuidar do amor alheio. 
Agora se virarmos o lado e prestarmos atenção nas propagandas politicas, podemos encaixar todos os 7 itens acima e não vejo reclamações no Reclame Aqui, nem campanhas de dislike, nem tão pouco esse debate de religião num país que deveria ser laico. O que deveríamos pedir é o fim da bancada evangélica, estamos voltando para idade média e não vou me assustar se começar assistir mulheres sendo queimadas em praça pública acusadas de bruxarias feministas. 
Eu pretendo fazer algumas reclamações no Reclame Aqui contra os políticos envolvidos nessa campanha de dislike, porque afinal eles trabalham para mim, e isso não representa nem de longe minhas necessidades. Pago impostos para ter benefícios não para ninguém fiscalizar a vida sexual de ninguém. 

Além do que, como diz o Whashington Olivetto, “Tudo o que acontece na vida real, deve ser retratado na publicidade.”  Até quando vamos fingir que o mundo não é o que cabe na nossa vã filosofia e vamos parar de temer o desconhecido?
Ponto para o Boticário, e todas as marcas que já reconhecem a diversidade do mundo. Dislike para você que se sente ofendido com o amor, que perde tempo lutando contra algo que está evidente que não é uma moda, não é pecado, não é uma escolha.

*Esse é um post que reflete a minha opinião pessoal sobre as marcas e não tem nenhum tipo de patrocínio.

Uma resposta

  1. Parabéns pelo post!!!
    Realmente, o único sentimento que eu tenho disso tudo é: NOJO e VERGONHA ALHEIA de gente que tem preconceito idiota e egoísta. Não são o centro do mundo e precisam aprender que o mundo é diferente SIM e que cada um é de um jeito e ama de um jeito. <3

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